Entre 25 e 28 de novembro, a Seção IF Fluminense participou do 3º Encontro de Negras, Negros, Indígenas e Quilombolas (ENNIQ), em Brasília (DF). O evento reuniu representantes da Rede Federal para discutir racismo estrutural, políticas de inclusão, direitos dos povos tradicionais e estratégias de enfrentamento aos retrocessos que ameaçam o serviço público.
A delegação foi composta por Ana Beatriz Batista Pessanha (Vice-Presidente), Cláudia Marcia Pereira Alves (Secretária de Comunicação), Kissila Aparecida Pereira Joaquim (Secretária de Pessoal Técnico Administrativo) e Roberto da Silva (Conselho Fiscal), que relataram experiências marcantes ao longo dos cinco dias de atividades.
DIA 1 – Marcha das Mulheres Negras
A participação começou com a Marcha das Mulheres Negras, que tomou a Esplanada dos Ministérios em um ato coletivo contra o racismo e as violências que atingem a população negra.
Depoimentos:
“O momento mais especial foi ver uma mulher negra de mais de 101 anos marchando. Mesmo após os 100 anos, ela seguia lutando por respeito e igualdade. Aquilo simboliza toda a resistência que nos trouxe até aqui.” Disse Roberto.
“Ver mulheres de todo o país — e até de outros países — reunidas por igualdade e dignidade foi emocionante. Esses encontros são essenciais para que políticas públicas realmente avancem.” Defendeu a secretária da comunicação.
DIA 2: credenciamento e mesas de abertura
As oficinas previstas para a manhã foram suspensas por causa das chuvas, mas a abertura oficial trouxe reflexões importantes sobre identidade, políticas públicas e inclusão na Rede Federal.
“As falas da abertura mostraram que vale a pena continuar lutando pelos espaços que pessoas pretas têm plena capacidade de ocupar. Saí fortalecida.” Apontou Kissila
Além disso, um dos momentos mais emocionantes foi o depoimento do integrante do conselho fiscal:
“Contei minha trajetória enquanto homem preto, pobre e periférico, que encontrou na educação um caminho para mais oportunidades. Fui muito acolhido pelo grupo e senti a importância de ocupar esse espaço.” — Roberto
DIA 3: debates sobre povos tradicionais e interseccionalidades
Os grupos de debate aprofundaram temas como mudanças climáticas, racismo religioso, transfobia, assédio moral e desigualdades dentro dos Institutos Federais.
“Os relatos revelaram que problemas como racismo e assédio são cotidianos nos IFs. Sem mudanças estruturais, não avançamos.” — Cláudia
Os diálogos evidenciaram que as desigualdades e violências presentes nos IFs são estruturais e contínuas. Ao reunir diferentes vivências, o encontro reforçou a urgência de transformar essas denúncias em ações institucionais concretas, capazes de promover ambientes realmente seguros, inclusivos e antirracistas.
DIA 4: GTs, plenária e homenagem às vítimas do CEFET-RJ
Os GTs discutiram propostas de paridade e representatividade nos cargos de chefia e decisão da Rede Federal.
“Defendemos a ampliação da presença de negros, indígenas e quilombolas nos cargos de gestão. Esses espaços ainda são majoritariamente brancos, e isso precisa mudar.” — Kissila
A plenária terminou com um minuto de silêncio pelas trabalhadoras do CEFET-RJ, vítimas de feminicídio — um momento de dor coletiva e alerta.
DIA 5: caminhos para fortalecer a representatividade no IF Fluminense
Inspirada pelo encontro, a delegação trouxe propostas para ampliar as ações de inclusão no IF Fluminense:
“Precisamos fortalecer programas de apoio à comunidade negra, indígena e quilombola e ampliar a formação antirracista para servidores e estudantes.” — sugeriu o docente integrante do conselho fiscal.
“É fundamental criar fóruns permanentes de discussão sobre paridade e realizar encontros regionais entre grupos racializados.”, complementou Kissila
“Defendo a criação de uma Secretaria de Opressões no sindicato e ações articuladas com NEABIs e NEGEDS, incluindo cursos de letramento racial também para escolas da rede pública do entorno.”, concluiu Cláudia
Compromisso e continuidade
A participação da Seção IF Fluminense no 3º ENNIQ reafirma o compromisso do sindicato com a luta antirracista, a defesa dos povos e comunidades tradicionais e a construção de uma Rede Federal mais justa, plural e acolhedora.
As reflexões e propostas trazidas pela delegação serão fundamentais para fortalecer políticas de inclusão e ampliar a representatividade no IF Fluminense nos próximos anos.
Seguimos lutando pela igualdade com toda a categoria!
Texto: Hellen Almeida — Comunicação SINASEFE IF Fluminense





