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Poder, adoecimento e sororidade: 2º dia do ENMS desafia o movimento sindical a ir além da representação

O segundo dia do 4º Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE (ENMS) aprofundou o debate iniciado na véspera e deixou uma provocação central: não basta que mulheres ocupem espaços de poder, é preciso perguntar que mulher ocupa esse espaço e a serviço de quem. Com mesas intensas sobre paridade, interseccionalidade, violência institucional e saúde mental, a sexta-feira (10) consolidou o encontro como um espaço de construção política coletiva, e não apenas de representação simbólica. A delegação do SINASEFE IF Fluminense esteve no centro desse debate.

Manhã: a disputa pelo poder exige um projeto coletivo — e uma pergunta incômoda

A primeira mesa do dia, “Paridade, poder e interseccionalidade: pluralidade de mulheres na disputa dos espaços de decisão”, reuniu das 9h ao meio-dia as debatedoras Andréa Moraes, Teresa Bahia, Vivi Reis e Wellingta Macêdo, sob mediação de Fernanda Rosá.

O tom foi dado por uma das convidadas, representante da Wellingta, que provocou a plateia com uma afirmação direta: não é suficiente ocupar cargos de poder, é necessário propor um novo projeto de sociedade em que a coletividade se sobreponha aos interesses individuais. Para ela, exercer poder é propor um projeto coletivo que desconstrua sistemas de opressão — e a pergunta que o movimento sindical precisa fazer não é apenas “tem uma mulher lá?”, mas “que mulher é essa e a quem ela serve?”

A intervenção ecoou na plateia e gerou duas das falas mais marcantes do dia, vindas da delegação do IF Fluminense.

Priscila Wandalsen Mendonça de Castro, docente ativa da seção, dialogou diretamente com essa provocação ao conectar o debate sobre poder com a realidade do adoecimento das trabalhadoras:

“A importância do coletivo é inclusive porque é um caminho possível para evitar o adoecimento de nossas companheiras. Quando a gente fala de políticas públicas ou de assédio, porque somos as próprias vítimas das opressões — se estamos numa posição de combate ao assédio, nós não estamos só trabalhando burocraticamente, nós estamos sofrendo junto com essas mulheres vítimas, por sermos também vítimas. A sobrecarga não é só de atividade, de falta de sono — é também uma sobrecarga emocional. E no coletivo a gente consegue dividir o trabalho e também compartilhar a dor.”

Fátima Pereira Gomes, docente e Secretária de Formação Política e Sindical da seção, ampliou o debate para além dos espaços institucionais, lembrando que a luta contra o machismo e a misoginia também precisa acontecer dentro de casa — no papel de mães e avós que têm a responsabilidade de não criar filhos misóginos e agressores:

“A gente também precisa estar dentro dos nossos espaços e ser as pessoas que têm essa comunicação, essa preocupação, essa família com a gente. A gente sofre a questão do machismo, da misoginia e a vida é muito pesada. Isso adoece a gente.”

As duas falas, vindas da nossa seção sindical, sintetizaram o que o encontro vinha construindo: a luta das mulheres é indivisível — ela acontece no trabalho, no sindicato e no lar, e o adoecimento é uma consequência direta de carregar esse peso sem suporte coletivo.

Tarde: quando o silêncio adoece (violência institucional na Rede Federal)

Das 14h às 18h, a mesa “Entre o silenciamento e o adoecimento: violência institucional, saúde mental e a construção de respostas coletivas na Rede Federal” trouxe Ana Quézia Carneiro, Ana Patricia Fernandez, Arielly Ribeiro e Geovanna Borges, com mediação de Márcia Amado.

O debate nomeou o que muitas trabalhadoras vivem sem conseguir identificar: a violência institucional — aqWellingta Macêdoa que não deixa marca visível, mas que corrói a saúde mental, silencia denúncias e naturaliza o adoecimento como se fosse fraqueza individual. As debatedoras apontaram para a necessidade de respostas coletivas e políticas sindicais que tratem saúde mental não como pauta secundária, mas como questão estrutural da luta das trabalhadoras da educação pública.

“Nunca é tarde para aprender”: presidenta do IF Fluminense fala sobre representatividade, raça e sororidade

Em meio ao encontro, Claudia Marcia Pereira Alves, TAE aposentada, negra e presidenta da seção IF Fluminense no biênio 2026/2027, falou sobre o que significa chegar a este espaço como líder de uma direção sindical majoritariamente feminina:

“Me sinto representada não só enquanto gênero, mulher, mas também enquanto raça — de poder chegar em um espaço de poder que é um sindicato voltado para a educação, com tanta vontade de fazer, com tanta vontade de criar. Estou vendo que não apenas eu, mas mulheres de todo o Brasil estão passando pelos mesmos problemas, seja nos seus espaços de trabalho como também nos seus espaços de poder, que são os nossos sindicatos. Temos que ter sororidade, porque mulher tem que apoiar mulher, mulher tem que estar unida por uma causa comum.”

Ela ressaltou ainda a composição diversa da nova direção — TAEs, docentes, negras, aposentadas e ativas — e concluiu com um apelo que resume o espírito do encontro: “Só quero que em outros encontros mais mulheres possam vir dos vários segmentos que nós temos dentro da nossa comunidade escolar.”

A declaração ganha ainda mais peso quando se considera que o SINASEFE IF FLUMINENSE está em Belém com uma delegação de onze mulheres: Ana Beatriz Batista Pessanha (TAE/Ativa – Secretária de Comunicação), Ana Lúcia Gomes Gonçalves (TAE/Ativa), Claudia Marcia Pereira Alves (TAE/Aposentada – Presidente), Elizete Ramos Gonçalves (TAE/Ativa), Eunice Nogueira Santos (Aposentada), Fátima Pereira Gomes (Docente/Ativa e Aposentada – Secretária de Formação Política e Sindical), Hellen Pereira de Almeida (Jornalista da seção), Kissila Aparecida Pereira Joaquim (TAE/Ativa), Mariana Magno Lessa (TAE/Ativa), Marta Castro Andrade (TAE/Ativa) e Priscila Wandalsen Mendonça de Castro (Docente/Ativa).

O encontro continua e você pode acompanhar tudo em tempo real

O 4º ENMS segue neste sábado (11) com dois novos debates: “Tempo de cuidar, tempo de lutar, tempo de viver: políticas institucionais para as mulheres na Rede Federal” e “Nem precarizadas, nem exaustas: jornada, condições de trabalho e aposentadoria das mulheres na Rede Federal”.

Toda a participação da seção IF Fluminense pode ser acompanhada em tempo real pela cobertura da jornalista Hellen Almeida, nas redes sociais da seção — Instagram (@sinasefeiffluminense) e Facebook (Sinasefe IF Fluminense) —, e pelas matérias de cobertura diária no site oficial:sinasefeiffluminense.com.

Texto: Hellen Almeida/Comunicação SINASEFE IF FLUMINENSE.

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