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Quatro anos de alertas, uma morte e nenhuma resposta: SINASEFE IF Fluminense exige que o DNIT resolva o acesso ao Campus Itaperuna

Estudar e trabalhar não podem ser um risco à vida! A morte do motociclista Roberto Carlos Arruda Valentim, fatalidade que ocorreu no trevo de acesso ao Campus Itaperuna do Instituto Federal Fluminense (IFF), enfatizou a urgência do cumprimento de uma reivindicação antiga — e o instrumento usado por servidores e alunos para demonstrar sua indignação foi a principal arma em prol da categoria: a mobilização. Dias após o ocorrido, cartazes e gritos de luta entoados na BR-356 reforçaram a necessidade de intervenções que garanta a segurança daqueles que por ali circulam diariamente. 

A preocupação está longe de ser recente. Documentos oficiais compartilhados pelo Diretor-Geral do campus, Filipe Ribeiro de Castro com a direção geral do SINASEFE IF Fluminense, relatam 4 anos em que ele, com o apoio da reitoria e a comunidade acadêmica, encaminham solicitações ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), alertando sobre os riscos do acesso e defendendo a adoção de medidas preventivas antes que uma tragédia acontecesse.

Campus alertava para os riscos desde 2022 

A comunidade do Noroeste Fluminense já buscava o apoio dos órgãos responsáveis para solucionar o quadro a quatro anos, por meio de ofícios, reuniões institucionais e representações encaminhadas ao DNIT e demais órgãos públicos — registrando assim, uma sequência de alertas sobre as condições do trevo de acesso.

Em junho de 2022, por meio de um ofício encaminhado ao DNIT, o diretor-geral do campus afirmou que a ausência de medidas de segurança poderiam resultar em consequências graves para estudantes, servidores e demais usuários da rodovia: É questão de tempo, até que uma tragédia envolvendo a morte de estudantes aconteça no local”, afirmou ele.

No mesmo documento, o diretor reforçou que a implementação dessas medidas preventivas não deveria depender da ocorrência de acidentes para ser justificada: “Não é razoável esperar que se acumulem registros de ocorrência num local para que se justifique uma intervenção”, apontou ele.

As cobranças seguiram sendo realizadas nos anos seguintes, com novos ofícios encaminhados pela direção do campus — sempre reforçados pela reitoria e acompanhados pela comunidade acadêmica, de forma a destacar os riscos persistentes no acesso do instituto e a urgência por ações concretas para garantir a segurança de todos(as).

Travessia da BR-356 expõe estudantes e servidores ao risco diariamente

Para aqueles que utilizam o trevo de acesso diariamente, os riscos vão muito além dos registros oficiais. Nesse sentido, a professora dos cursos relacionados a automação e afins no IFF Itaperuna, Mariana Abreu Gualhano, conta que a travessia da rodovia faz parte da rotina de estudantes e trabalhadores que chegam ao campus. O intenso fluxo de caminhões, aliado à falta de iluminação adequada e à ausência de uma estrutura segura para pedestres, transforma o deslocamento em um momento de apreensão — principalmente durante a noite. Segundo ela, a baixa visibilidade é um dos fatores que mais preocupam quem circula pelo local após o anoitecer: 

“É um trevo por onde passam caminhões constantemente, às vezes em alta velocidade. À noite, o local é muito escuro e, mesmo assim, precisamos atravessar a pista para acessar o IFF. São situações que colocam em risco quem precisa fazer essa travessia até o Instituto, sejam servidores ou alunos(as),” relata ela.

Na sua percepção, intervenções relativamente simples poderiam reduzir esses e outros riscos enfrentados pela comunidade. Como exemplo, ela cita estruturas já existentes em outras instituições de ensino da cidade:

“Temos aqui perto a Universidade Iguaçu (UNIG), e o acesso de lá é muito mais organizado, com trevo estruturado e quebra-molas. Já no acesso ao IFF, onde medidas semelhantes também poderiam ser implementadas, isso não acontece,” conta em entrevista.

Mais de 1.5 mil estudantes dependem diariamente do acesso ao campus

A preocupação ganha ainda mais dimensão diante do número de pessoas impactadas pela falta de infraestrutura. Em representação encaminhada ao Ministério Público Federal, o Campus Itaperuna informa que atende aproximadamente 1.500 estudantes — dos quais, cerca de 600 são menores de idade.

Sem um ponto de ônibus adequado, muitos aguardam pelo embarque e desembarque às margens da BR-356, ficando assim, expostos ao fluxo intenso dos veículos que por ali circulam e às condições climáticas. Por isso, os documentos encaminhados aos órgãos responsáveis defendem, além das melhorias no trevo de acesso, a implementação de uma sinalização específica para área escolar, redutores de velocidade, reforço da iluminação pública, travessias mais seguras e uma estrutura adequada para o embarque e desembarque dos estudantes.

Essas reivindicações também são reforçadas pela reitoria do IFF. Segundo o reitor Victor Barbosa Saraiva, o objetivo é lutar pela garantia das condições mínimas de segurança para toda a comunidade acadêmica:

 “Precisamos ter ali uma estrutura que garanta segurança para os nossos estudantes. Precisamos de um ponto de ônibus adequado. Os nossos estudantes têm ficado na chuva e no sol. Isso é inadmissível!”, defende ele.

Para o docente, as melhorias vão além da infraestrutura. Elas representam condições básicas que devem garantir o direito de acesso à educação com segurança e dignidade.

Quatro anos de alertas e poucas mudanças no acesso ao IFF Itaperuna 

As respostas encaminhadas pelo DNIT à direção geral do campus no decorrer desses anos, apesar de reconhecerem a necessidade de avaliar o trevo de acesso, estão longe de concretizar quaisquer das reivindicações solicitadas pela comunidade acadêmica.

Em resposta aos primeiros ofícios enviados em 2022, o Departamento informou que o trecho seria avaliado para possível inclusão no “Programa BR-Legal 2” — iniciativa voltada à melhoria das condições de segurança nas rodovias federais. Entre as ações previstas estavam estudos para implantação de reforço na sinalização, dispositivos de redução de velocidade e outras intervenções no acesso ao campus.

Porém, 1 ano depois, a direção do campus registrou que poucas mudanças haviam sido percebidas no local. Em novo documento encaminhado ao órgão, foi relatado que além de considerados insuficientes para reduzir os riscos, muitos dos balizadores instalados apresentavam problemas de conservação.

No ano de 2024, o DNIT informou que não havia previsão para execução de obras no trecho da BR-356, indicando apenas a possibilidade de reforço na sinalização já existente.

Ano passado, após novas cobranças da direção do campus e da reitoria, o órgão informou que realizaria os estudos técnicos necessários para avaliar a readequação da interseção do acesso ao campus e demais atividades voltadas para a melhoria da segurança viária.

A morte do motociclista Roberto Carlos Arruda Valentim, levou novamente a comunidade acadêmica às ruas e recolocou a pauta da segurança no acesso ao Campus Itaperuna no centro do debate público.

Reitoria cobra atuação conjunto do DNIT e do município

Segundo o reitor, embora a intervenção no trevo dependa do DNIT, o poder público municipal também é responsável por outras melhorias necessárias para garantir a segurança no local — como a iluminação do trecho e a estrutura adequada para o embarque e desembarque dos estudantes.

Por isso, Victor Barbosa afirma que a instituição participou de reuniões com representantes do DNIT e da Prefeitura de Itaperuna, reforçando as reivindicações apresentadas pelo campus ao longo dos últimos 4 anos. Apesar disso, a sua avaliação é de que as articulações feitas ainda não produziram mudanças efetivas:

“Nós ainda não tivemos nenhum resultado dessas nossas conversas. Precisamos que haja uma mobilização verdadeira do município e do DNIT para que resolvam o problema.” aponta ele.

Para a reitoria, a responsabilidade é compartilhada entre diferentes órgãos públicos, mas a urgência da situação exige que as medidas deixem o campo das tratativas e sejam efetivamente implementadas.

SINASEFE IF Fluminense reforça mobilização e amplia articulação institucional

Nosso sindicato acompanhou a mobilização realizada pela comunidade acadêmica e defende que a segurança no acesso ao campus deve ser tratada como prioridade pelos órgãos responsáveis. Para a vice-presidenta, Alice Pereira, esse problema evidencia um desafio presente em várias unidades do Instituto Federal Fluminense que estão localizadas fora dos centros urbanos.

Segundo ela, a precariedade do acesso acaba se somando a outras dificuldades enfrentadas diariamente por estudantes e servidores(as), tornando a segurança uma pauta permanente para o sindicato:

“Temos campi que muitas vezes são isolados do restante da cidade e uma das dificuldades é sempre o transporte,” diz ela.

Por isso, além de acompanhar as reivindicações locais, a presidenta da nossa seção, Claudia Marcia Pereira Alves, diz que a diretoria atual pretende ampliar o diálogo com parlamentares e demais órgãos públicos, com o objetivo de fortalecer a cobrança por soluções:

“Estamos pensando em envolver deputados com os quais temos um maior contato, para que eles também deem suporte — uma vez que, estando em Brasília, têm mais ingerência para negociar essa pauta,” aponta a TAE aposentada.

Para a docente Mariana, a nossa atuação representa um reforço essencial para a mobilização construída pelo campus e a reitoria:

“O sindicato é uma força a mais para nos ajudar. Afinal, talvez sejam necessárias medidas concretas, como endossar esses pedidos junto à direção, fazer uma ponte com a reitoria e cobrar que mais ações sejam tomadas para pressionar o poder público.”, pondera ela.

A fatalidade ocorrida no campus do Noroeste Fluminense fez com que a nossa direção colocasse como demanda de alta prioridade, apurar a qualidade do acesso aos demais campi — compreendendo assim, os riscos e desafios relacionados à localização de cada unidade para servidores, estudantes e demais usuários.

Por isso, as informações coletadas por meio do formulário desenvolvido pela presidência em parceria com a pasta de comunicação,  serão analisadas pela nossa Diretoria e contribuirão para o debate e a formulação de propostas voltadas à melhoria das condições de segurança em nossos ambientes de estudo e trabalho. 

Comunidade espera que medidas finalmente saiam do papel

As cobranças relacionadas ao trevo de acesso para o Campus Itaperuna já foram encaminhadas ao Ministério Público Federal e seguem sendo acompanhadas por sua direção geral, pela reitoria e pelo SINASEFE IF Fluminense. O nosso setor de comunicação entrou em contato com representantes do DNIT, solicitando atualização no que diz respeito às medidas de resolução e seus respectivos prazos, mas não obteve qualquer retorno.

Enquanto isso, estudantes, servidores(as) e moradores(as) da região continuam utilizando diariamente o trecho da BR-356, convivendo com os mesmos riscos apontados nos documentos encaminhados aos órgãos responsáveis desde 2022.

Após anos de cobranças e sucessivos alertas registrados oficialmente, a expectativa da comunidade acadêmica é que as medidas finalmente deixem o papel e se transformem em intervenções capazes de garantir um acesso mais seguro ao Campus Itaperuna, preservando a vida de estudantes, servidores e de toda a população que circula pela rodovia.

Texto: Hellen Almeida/Comunicação SINASEFE IF Fluminense.

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