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13 de Maio: abolição sem reparação mantém marcas do racismo estrutural no Brasil

Mais de 130 anos após a assinatura da chamada Lei Áurea (13 de maio) o dia de hoje segue sendo uma data de reflexão, denúncia e resistência para o movimento negro. Para a seção SINASEFE IF Fluminense, não há o que celebrar em uma abolição que não garantiu moradia, educação, dignidade ou reparação histórica à população negra brasileira.

Como forma de transformar o 13 de Maio em um espaço de escuta, denúncia e reflexão — e não de celebração — o setor de Comunicação do SINASEFE IF Fluminense deu voz a representantes da categoria que vivenciam, diariamente, as consequências do racismo estrutural no Brasil. Em entrevista à seção sindical, a presidenta Claudia Márcia Pereira Alves e a secretária de Comunicação e diretora da pasta de Políticas Étnico-Raciais da Direção Nacional do SINASEFE (2024-2026), Ana Beatriz Batista Pessanha, compartilharam relatos, reflexões e denúncias sobre desigualdade racial, apagamento histórico e resistência negra. 

“E no dia 14? Não tínhamos nada!”

A data, tradicionalmente apresentada nos livros de história como símbolo de liberdade, é contestada por quem vivencia diariamente os impactos do racismo estrutural. Durante entrevista realizada pela seção sindical, a presidenta da entidade, Claudia Márcia Pereira Alves, destacou que a abolição ocorreu sem qualquer garantia de inclusão social para a população negra:

“E no dia 14? Não tínhamos moradia, dinheiro ou escolaridade. Tudo foi surrupiado da gente. A nossa dignidade, o nosso amor-próprio, a nossa hierarquia”, afirmou.

Ao longo da conversa, as dirigentes reforçaram que o racismo no Brasil permanece presente de maneira cotidiana, muitas vezes de forma velada. A secretária de Comunicação da seção e diretora da pasta de Políticas Étnico-Raciais da Direção Nacional do SINASEFE (2024-2026), Ana Beatriz Batista Pessanha, ressaltou que o dia de hoje não representa liberdade plena para a população negra:

“Hoje, eu não vejo um dia de celebração. Por um lado, existe gratidão pela resistência do nosso povo. Mas do outro, ainda tem muita coisa que precisa melhorar. Estamos muito longe de alcançar equidade enquanto sociedade.”

A presidenta da seção sindical também denunciou a permanência das desigualdades raciais no mercado de trabalho e nos espaços de poder.

“Até hoje, a maioria das pessoas nos trabalhos mais precarizados e terceirizados continua sendo negra. Desde o banco escolar, fomos ensinados que não chegaríamos a lugar nenhum. Por isso, as cotas raciais são uma maneira de sermos agraciados com parte daquilo que perdemos ao longo dos anos. É uma reparação.

Para além da reflexão, estamos preparando ações

Além da reflexão sobre o 13 de Maio, a direção do sindicato anunciou a construção de ações permanentes de formação e debate sobre igualdade racial, gênero e diversidade ao longo do próximo período. Entre as propostas discutidas estão cafés temáticos, palestras, rodas de conversa e parcerias com movimentos sociais e especialistas da temática racial.

Segundo Ana Beatriz e Cláudia, o objetivo é ampliar o debate para além das datas simbólicas e fortalecer a conscientização da categoria sobre o racismo estrutural e suas consequências.

“O papel do sindicato também é esclarecer, promover debate e ocupar espaços de formação política sobre igualdade racial, gênero e direitos humanos”, destacou a Presidenta.

Mais do que lembrar a assinatura de uma lei, o 13 de maio segue sendo uma data para questionar as estruturas que mantêm desigualdades históricas e para reafirmar a luta do povo negro por dignidade, reparação e justiça social.

Texto: Hellen Almeida/Comunicação SINASEFE IF FLUMINENSE.

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