O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um marco histórico de mobilização e luta por direitos. No serviço público federal — e especialmente na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica — as mulheres são parte fundamental da construção do ensino, da pesquisa e da extensão. Ainda assim, persistem desigualdades estruturais que impactam diretamente suas condições de trabalho e participação política.
Para o SINASEFE IF Fluminense, discutir a realidade das mulheres da base sindical é parte da construção de uma agenda permanente de defesa de direitos e enfrentamento às desigualdades.
Desafios que persistem
Embora representem uma parcela expressiva das servidoras da educação federal, as mulheres ainda enfrentam obstáculos significativos para alcançar posições de liderança e consolidar suas trajetórias profissionais.
A docente sindicalizada Alice Pereira, do Campus Macaé, destaca que a desigualdade se manifesta tanto na ocupação de cargos quanto nas condições de trabalho:
“Embora as mulheres sejam uma parte significativa do número de servidoras na educação federal, ainda estamos longe de ocupar cargos de liderança. Há poucas reitoras e diretoras de campus, e a dupla ou tripla jornada que muitas enfrentam torna a ascensão na carreira ainda mais difícil.”
A sobrecarga de trabalho, somada às responsabilidades familiares e à desigualdade de oportunidades, cria barreiras adicionais para a atuação plena das mulheres na carreira acadêmica e administrativa.
O papel do sindicato na construção de mudanças
Para enfrentar esse cenário, a organização sindical é apontada como elemento central na defesa de direitos e na promoção de transformações institucionais.
Segundo Alice, o sindicato pode fortalecer a luta das mulheres ao ampliar o debate e estruturar políticas internas voltadas ao enfrentamento das opressões.
“Ainda precisamos de uma pasta específica para combate às opressões e de maior engajamento nas lutas contra o assédio moral e sexual.”
A sindicalizada também destaca a importância de garantir a participação efetiva das mulheres nos espaços de decisão do movimento sindical:
“É fundamental respeitar a paridade nos cargos de direção, nas eleições de delegados e na participação em eventos e mesas de negociação.”
Pautas prioritárias
Entre as medidas que podem contribuir para avançar na equidade de gênero dentro da instituição e do movimento sindical, Alice aponta a necessidade de ações concretas de prevenção e enfrentamento às violências.
Entre as propostas destacadas estão:
- Criação de campanhas e cartilhas institucionais de combate ao assédio sexual;
- Cobrança de paridade de gênero em cargos de gestão;
- Defesa da implementação de cotas trans em processos seletivos e concursos;
- Reivindicação de espaços de cuidado para filhos de servidoras, estudantes e trabalhadoras terceirizadas.
Essas medidas dialogam com uma agenda mais ampla de transformação das relações de trabalho e de ampliação da participação política das mulheres.
Organização coletiva como caminho
Para Alice, o fortalecimento da organização sindical é um instrumento fundamental para enfrentar as desigualdades presentes no ambiente de trabalho.
“O sindicato tem papel fundamental na luta por melhores condições de trabalho, e isso precisa incluir as perspectivas de raça, gênero e orientação sexual. Combater a violência contra as mulheres e ampliar sua participação política devem ser prioridades.”
Ao trazer essas reflexões, o SINASEFE IF Fluminense reafirma o compromisso de ouvir suas sindicalizadas e fortalecer a luta coletiva por igualdade, respeito e condições dignas de trabalho.
Texto: Hellen Almeida/Comunicação SINASEFE IF FLUMINENSE.